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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Raul Seixas - ontem, hoje e sempre

Depois de alguma pesquisa, vou me aventurar aqui a contar a história de uma figura complexa. Figura esta amada por uns e odiada por outros. Assim são os gênios. Porque os gênios provocam e instigam o pensamento alheio. E quem os vê, quem os ouve, pode concordar ou não com suas filosofias, estilos e crenças, até porque, como dizia o próprio Raul, não existe a verdade absoluta. Mas uma coisa é certa: os gênios se fazem ver e ouvir. Raul esteve presente nos anos 80, tanto quanto nos anos 70 e nos tempos de hoje. Porque os gênios são imortais e atemporais. Raul é “passado”. Raul é “futuro”. Raul é “o agora”.



“Eu nasci há dez mil anos atrás”

No dia 28 de junho de 1945, nasceu na principal Avenida de Salvador, Raul Santos Seixas. Raul é filho de Maria Eugênia Pereira dos Santos e Raul Varella Seixas, um engenheiro.


“Antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu”

O instinto artístico sempre esteve presente na vida de Raul Seixas. Ainda criança, inventava estorinhas e as transformava em gibis para vender ao seu irmão, 3 anos mais novo. As estórias giravam em torno de um personagem chamado Melô, criado pelo próprio Raul. Melô era um cientista louco que viajava no tempo com personagens históricos ou místicos, como Deus e o Diabo. Passava muito tempo mergulhado em seus próprios pensamentos. “Meu mundo interior é, e sempre foi, muito rico e intenso. Por isso o mundo exterior naquela época não me interessava muito.”


“Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu ainda não compreendo”

Ainda nessa época Raul devorava a vasta biblioteca de seu pai, e tinha como livros favoritos o “Livro dos Porquês” e o “Tesouro da Juventude”. Seu pai o incentivava na literatura de temas místicos, e Raul aos sete anos já questionava sobre coisas como “reencarnação” e o “fim do mundo”.


“Eu sou o moleque maravilhoso”

Ainda na adolescência, a família de Raul Seixas muda-se para perto do Consulado Norte Americano. Raul têm como amigos e vizinhos os filhos dos diplomatas, que o “apresentam” a um novo rítmo: o Rock’n Roll. Não demorou muito para Raul ficar fissurado em Little Richard, Jerry Lee Lewis e Elvis Presley – maior ídolo musical de Raul Seixas. Raul, inclusive, fundou um Fã-Clube do Elvis, junto com seu amigo Waldir Serrão.



“Tô pulando muro com o Zezinho no fundo do quintal da escola”

Raul Seixas não gostava de ir à escola, chegando a repetir por 5 vezes o 2º ano ginasial. Raul dizia que a escola não tinha nada para lhe ensinar. Preferia ficar ouvindo Rock numa loja de discos, ou no Fã-Clube do ídolo Elvis Presley.


“Agora é necessário gritar e cantar Rock. Demonstrar os teoremas da vida”

Em 1962, Raul decide largar a escola e formar uma banda ao lado dos irmãos Délcio e Thildo Gama: os “Relâmpagos do Rock”. Dois anos depois, o grupo teria outra formação e também mudou de nome, agora se chamaria “The Panthers”. Pouco depois, o grupo mudou definitivamente o nome para “Raulzito e os Panteras”.

O grupo começou a fazer sucesso na Bahia, e muitas vezes abriu shows dos astros da “Jovem Guarda”, como Roberto Carlos, Jerry Adriane, Erasmo Carlos, Wanderléa e Rosemary.


“Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Raul conhece Edith Wisner, que viria a ser sua primeira mulher. Larga a banda e retoma os estudos. Passa em um dos primeiros lugares no vestibular para o curso de Direito. "Eu queria provar às pessoas, à minha família, como era fácil isso de estudar, passar em exames”. Raul casa-se com Edith e retoma a carreira com os Panteras.


“Chego com as águas turvas, eu fiz tantas curvas pra poder cantar”

Jerry Adriane convida Raul e os Panteras para irem ao Rio de Janeiro. Gravam um LP pela Odeon, mas o mesmo não emplaca. Ficam algum tempo como banda de apoio de Jerry, mas logo depois o grupo se dissolve, e voltam para Salvador.


“Se é de batalhas que se vive a vida, tente outra vez”

Em 1970, a sorte sorri para Raul Seixas, e ele conhece em Salvador um diretor da CBS (atual Sony Music), chamado Evandro Ribeiro. Foi então convidado pelo mesmo a trabalhar como produtor de discos. Raul volta com Edith ao Rio de Janeiro. Raul produz então discos de sucesso para Jerry Adriane, Renato e Seus Blue Caps e Sergio Sampaio, dentro outros. Sergio Sampaio o incentiva a retomar sua carreira artística.



“E não adianta nem me dedetizar, pois nem o DDT pode assim me exterminar”

Em julho de 1971, Raul aproveita-se da viagem do Presidente da gravadora e produz o disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista – apresenta – Sessão das 10, no qual ele canta músicas suas. O LP ainda traz músicas de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O disco não emplaca e custa o emprego de Raul na CBS. Porém, o aprendizado na CBS foi de suma importância para a consolidação de sua carreira.


“O caminho do risco é o sucesso”

Em 1972, Raul então “encarna” de vez Raul Seixas. Inscreve duas composições no VII Festival Internacional da Canção, e as duas são classificadas: Eu sou eu, Nicuri é o diabo, interpretada por Lena Rios e Os Lobos, e Let me sing, Let me sing, interpretada pelo próprio Raul.

Let me sing, Let me sing chegou às finais, e chamou atenção pela mistura de Rock e Baião. Isso garantiu a Raul a continuidade de sua carreira.


“Você é tão forte, faz o que deseja e quer, mas se assusta com o que eu faço e isso eu já posso ver. E foi por isso justamente que eu vi, maravilhoso aprendi que eu sou mais forte que você”.

Raul Seixas foi contratado então pela Philips (gravadora mais forte da época). Grava o LP KRIG-HA, BANDOLO! O LP é festejado pela crítica e público. Finalmente Raul Seixas teve seu trabalho reconhecido.


“Olha o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral.”

Raul, junto com Paulo Coelho, estudam a obra do mago inglês Aleister Crowley e lançam a Sociedade Alternativa. Eles se intitulam “inimigos íntimos”, pois as composições são feitas à base de discussões. Justamente essa mistura de opiniões torna o trabalho rico e completo. Ganham um terreno em Minas Gerais, para a construção do que seria chamado de “Cidade das Estrelas”. A idéia esbarra na ditadura militar imposta no Brasil, e Raul é preso e torturado. Raul, Paulo, Edith e Adalgisa são “convidados” a deixar o país, e se refugiam nos EUA, onde conhecem John Lenon. Conversam sobre personagens históricos como Buda, Cristo e Calígola.


“E se eu aconteço aqui, se deve ao fato de eu simplesmente ser.”

Não era só Raul que era uma “metamorfose ambulante”, a ditadura também era. Ironicamente Raul, Paulo Coelho e suas respectivas mulheres são convidados a voltar ao país, devido ao estouro da música Gita. Raul agora era “patrimônio nacional”. Raul ganha seu primeiro disco de ouro vendendo 600 mil cópias. Depois desse disco, Raul fez o LP “Novo Aeon” e “Eu nasci há dez mil anos atrás” com o parceiro Paulo Coelho. Em seguida, a parceria é desfeita.


“Esse caminho que eu mesmo escolhi, é tão fácil seguir por não ter onde ir.”

Raul Seixas muda então de parceiro e de gravadora. Raul vai para a WEA e divide as composições com o poeta Cláudio Roberto. Com ele faz a belíssima “Maluco Beleza” dentre outros sucessos.


“Veja, um poeta inspirado em coca-cola, que poesia mais estranha ele iria expressar”

Nessa época começam os problemas de saúde de Raul Seixas causado pelo consumo excessivo de álcool. Raul volta à Bahia para repousar e se tratar de uma pancreatite.

Em seguida, Raul Seixas muda-se para São Paulo. Faz shows e lança discos de grande sucesso, intercalados com momentos conturbados devido ao uso constante de álcool. Falta a shows, e por algumas vezes fica sem gravadora.

“A Panela do Diabo”, seu último LP, foi feito com seu amigo e conterrâneo Marcelo Nova, a quem Raul chamava carinhosamente de Marceleza.


"E assim torto de verdade com amor e com maldade, um abraço e até outra vez".

Raul parecia querer se isolar do mundo. Raul não aceitava essa forma de sociedade em que vivemos. Podemos dizer que Raul viveu e bebeu sua filosofia, até a última gota. Talvez tenha cansado de tentar ser compreendido. Talvez tenha percebido que era inútil a luta, pois a maioria não tem a sensibilidade necessária pra acompanhar seus pensamentos. O fato é que a obra de Raul ficou, “numa palavra rude que ele tenha dito pra alguém que não gostava, e até no uísque que ele não terminou de beber aquela noite”.



“Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar”

Raul morreu em seu apartamento no dia 21 de agosto de 1989, vítima de uma parada cardíaca em decorrência de pancreatite aguda.

Vou falar de uma curiosidade sobre a morte de Raul. Na música “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor” ele canta “Quando eu compus, fiz ouro de tolo/ Uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse/ Mas eles só vão entender o que eu falei/ No esperado dia do eclipse”.

Pois bem, na música Ouro de Tolo ele canta: “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.”

Raul morreu três dias após um eclipse total da lua. Coincidência ou previsão do Raulzito? Bom, isso a gente nunca vai saber, não é mesmo?


“O hoje é apenas um furo no futuro, por onde o passado começa a jorrar”.

Eu conheço bem a obra do Raul. Desde que me conheço por gente sou fã. Como gosto de escrever textos, fazer poesias e compor músicas, é um vício meu prestar atenção nas letras. E, pelo que conheço da obra do Raul, vou arriscar-me aqui a traduzi-la em poucas palavras, embora seja mais complexo do que possa parecer: “Consiga ser você mesmo e será feliz”.

Esta matéria não tem nenhuma pretensão de ser uma biografia do Raul Seixas, mas tão somente de homenageá-lo e de servir de base para quem não conhece sua obra, conhecer um pouco.



Fontes de pesquisa:

Site: http://www.raulseixas.com.br/

Livro: Raul Seixas – O Sonho da Sociedade Alternativa.


Veja também:

Entrevista com Raul: www.radio.usp.br/programa.php?id=20&edicao=061223

Site: http://www.raulrockclub.com.br/

6 comentários:

Anônimo disse...

Cara, realmente fiquei comovido ao ler o texto que você produziu, apesar de eu ter nascido dois anos antes da morte desse ilustre artista.
Viva Raulzito!

Arne Balbinotti disse...

Acesse meu blog, tem uma surpresa lá para você...
Ei! Vai logo, anda...
.
.
.
Você ainda está aqui?!?

Danny Reis disse...

Uau, isso dava um belo livro, hein!
Abraço!

Cris Soares disse...

Grande Raulzito, ele merece nossas homenagens.
Vc mandou super bem... é de se emocionar com essa história de vida... lindo demais esse teu carinho demonstrado aqui, nesse lugar fantástico que deixa a gente com aquele ar de saudades.
Cresci ouvindo Raulzito e mato as saudades ouvindo suas músicas como se fossem ontem... com a mesma intensidade de quando era criança e adolescente. Eita, parece papo de véia, mas sou da geração dos bons Festivais....ehehe
Tenha um bom findi
bjos

Cris

http://fuckevebodyarts.blogspot.com/ disse...

peeeeeeeeeeeeerrfeeeeeeeeeeiiitooooo


muito bom mesmo
parabens
eu cresci ouvindo meu pai cantar raul



parabens

Arne Balbinotti disse...

Realmente Raul é um clássico, e o melhor de tudo é brasileiro... hehehe...
Vi em um comentário anterior que o menino cresceu ouvindo o pai cantar Raul, eu, ao contrário cresci ouvindo uma juventude toda cantando Raul.
Bons tempos aqueles.
Abraços...